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Trocou de emprego e está arrependido: o que fazer?
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O Globo

Receber uma nova proposta de trabalho, que representa um salto na carreira, boa remuneração e novos aprendizados, é o objetivo da maioria das pessoas. O problema é quando, passado alguns meses após a mudança, o profissional se vê insatisfeito e desmotivado: o trabalho não era o que havia imaginado e o clima organizacional é pesado. E, agora, o que fazer?

Segundo Ylana Miller, sócia-diretora da Yluminarh e professora do Ibmec, nada de sentar e chorar: apesar do risco calculado, algo incontrolável pode acontecer durante o período de adaptação ao novo emprego, e o melhor que se tem a fazer é redesenhar o plano de carreira:

— Não há motivos para desespero. Temos que ser coerentes com o nosso propósito e valores, mas agindo sempre com respeito aos nossos contratantes. É muito importante proceder com transparência e deixar claro, se for o caso de decidir sair e buscar novos caminhos, os motivos de escolher uma nova trajetória. Sair da zona de conforto e fazer novas escolhas é fundamental na gestão de carreira.

Todo o processo de troca de emprego precisa ser bem avaliado e estruturado para que essas variáveis não sejam fatores decisivos para desistências ou frustrações na carreira do profissional, afirma Giovani Falcão, gestor de carreiras e projetos da Top Quality. O que também tem que estar claro, afirma o especialista, é que o mercado de trabalho não é uma extensão do lar e muito menos existirá pena ou cuidados pessoais com esse profissional.

— Logo, esses desafios são mais normais que o pensamento de evolução de carreira, e não podem ser pontuados com sentimentos. De fato, essas situações desconfortáveis são verificadas na prática do dia a dia e, muitas vezes, são pontuadas pela má gestão e pelo clima organizacional desfavorável, fatores que podem ser trabalhados pelo profissional.

Falcão ressalta que os desafios são constantes e o que também deve ser levado em conta é que a pessoa saiu de uma “zona de conforto e domínio”, que era a antiga organização, para algo desconhecido. Logo, as dificuldades são maiores até se ter o controle de toda a situação.

— É normal bater um desespero nesse momento e ficar perdido, mas o profissional deve lembrar que está em um novo local e que os desafios serão diários. Entretanto, toda empresa faz um contrato no período de experiência e a efetivação, geralmente, ocorre depois de 90 dias trabalhados. Se nesse período o profissional já identificar que não está satisfeito, o mais interessante é conversar com o gestor imediato para se fazer ajustes.

Para o consultor, desistir diante dos primeiros obstáculos, com pouco tempo de casa, não é a melhor decisão para o profissional, nem para a organização que o contratou. O melhor é conversar com o gestor imediato sobre essas questões, para, de repente, chegar a um fator comum e traçar objetivos:

— O mais interessante é que esse novo profissional sente para conversar com propostas de melhorias ou com estratégias de trabalho a serem aplicadas, já que ele tem um olhar diferenciado dos demais por não estar tão imerso no clima organizacional.

Mas caso não consiga reverter a situação, o melhor a se fazer é procurar outras oportunidades com a sua rede de relacionamento, ou verificar com o emprego anterior a possibilidade de retorno. Uma pesquisa realizada pela Trabalhando.com com mais de 800 pessoas, homens e mulheres, apontou que 56% dos profissionais, depois de terem saído de um emprego (por vontade própria ou demitidos), acabaram retornando à mesma empresa. Entre os motivos do retorno, estão terem recebido um convite para voltar (42%) e terem se arrependido de sair (14%). No entanto, muitas organizações não permitem a contratação de ex-funcionários em função do sigilo às informações ou gestão, por isso, é bom verificar antes de sair a possibilidade de retorno, aconselha Falcão. E que essa situação sirva de avaliação para as próximas tomadas de decisões e para a busca de informações e estratégias na nova recolocação.

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