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Sete em dez empresas têm programas de inclusão a PCD no Brasil

Menos de 1% dos negócios entrevistados em pesquisa da Talenses Group, no entanto, possuem pessoas com deficiência em cargos de presidência ou vice


Quase sete em dez empresas brasileiras possuem alguma política de contratação de profissionais com algum tipo de deficiência – chamados de PCD. Divulgada na última segunda-feira, 21, o dia nacional de luta da pessoa com deficiência, a pesquisa realizada pela consultoria de recursos humanos Talenses Group mostra, contudo, uma presença desigual desse tipo de profissional no ambiente corporativo.

Segundo a pesquisa, 69% das empresas entrevistadas buscam incluir PCD nos seus negócios. O dado, no entanto, esconde um problema: há pouquíssimos profissionais desse tipo em cargos de liderança nas empresas. De acordo com dados coletados com 104 executivos de recursos humanos em grandes empresas brasileiras, de todas as regiões, 84% afirmaram ter mão de obra PCD em cargos de assistentes e 63% em cargos de analistas.

Apenas 37% relataram ter pessoas com deficiência em cargos de coordenação, considerados de gerência média. Só 5% dos entrevistados relatou ter diretores nesta condição. A fatia de presidentes ou vice-presidentes PCDs foi inferior a 1%.

Para Rodrigo Vianna, presidente da Mappit, empresa do Talenses Group especializada em recrutamento para início de carreira, a presença de PCD em coordenação surpreendeu positivamente. “Somos procurados com frequência para conduzir projetos de inclusão de PCD com foco em posições de base e o nosso grande desafio é ir na contramão e trabalhar posições em cargos sêniores e de gestão, onde está a principal escassez de profissionais disponíveis no mercado”, diz.

Nos motivos alegados pelas empresas com programas de inclusão de mão de obra com deficiência está, em primeiro lugar, a intenção de seguir à risca a Lei de Cotas, legislação federal de 1991 sobre o tema. Segundo a lei, empresas com mais de 100 funcionários devem ter ao menos 2% do quadro formado por PCD. Em empresas com mais de 1.000 funcionários, ao menos 5% deles devem ter essa condição.

“Na prática, o que vemos é que diversas empresas possuem uma grande dificuldade na contratação de PCD, sendo que a principal delas é encontrar gente qualificada no mercado de trabalho”, diz Daniela Yuassa, advogada trabalhista do Stocche Forbes Advogados. “Entretanto, como há forte fiscalização por parte do Secretaria Especial de Previdência e Trabalho (antigo Ministério do Trabalho), bem como com o crescente número de empresas e ONGs que tem como objetivo fornecer mão-de-obra PCD qualificada, o que se vê hoje é um atendimento maior ao cumprimento da cota pelas empresas.”

Entre os maiores desafios para a inclusão de PCD nas empresas são, de acordo com a pesquisa, a falta de capacitação de profissionais (65% do total de entrevistados), adaptação da estrutura da empresa para receber PCD (40%), maior lentidão no processo seletivo em relação ao processo seletivo de candidatos (as) em geral (38%), falta de apoio da liderança à causa (30%), adaptação na cultura da empresa para receber esses profissionais (26%), alto custo no auxílio que esses profissionais necessitam (7%).

Para Leonardo Freitas, presidente da Hayman-Woodward, consultoria especializada em mobilidade global e em carreira, as dificuldades alegadas para inclusão desses profissionais não param em pé. “Atualmente, o ensino e treinamento não requerem quaisquer tipos de diferenciação e dificuldade. É preciso oferecer treinamento a um profissional PCD”, diz Freitas, lembrando que consumidores estão mais atentos às questões sociais ao comprar serviços e produtos.

“Elas não pensam apenas no bem que adquirem, mas também na capacidade de tais empresas estarem em conformidade com aspectos como a biodiversidade, a pluralidade e igualdade de gêneros, raças e credos. Por isso, a importância de um time diverso”, diz.

Para além dos motivos expostos na pesquisa para a dificuldade das empresas em contratar PCD, há também a percepção de que Benefício de Prestação Continuada (BCP), auxílio dado pelo governo a pessoas com deficiência, podem reduzir o apetite para emprego.

“O BCP é a garantia de um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência que comprove não possuir meios de prover a própria manutenção, nem de tê-la provida por sua família, que fica suspenso quando a pessoa com deficiência começa a trabalhar”, diz Ana Luiza Nogueira, advogada associada da equipe trabalhista do Santos Neto Advogados.

“Mesmo havendo o restabelecimento do benefício após a finalização do contrato de trabalho, a depender do salário oferecido pelas empresas não “compensaria” optar pela vaga de emprego.”

Para Juliana Amarante, advogada trabalhista do escritório Souza, Mello e Torres, faltam políticas públicas para aumentar a contratação de PCD nas empresas. “O Estado ainda está longe de implementar programas e medidas para viabilizar de fato o acesso dessas pessoas ao mercado de trabalho”, diz Juliana. “E aqui, estamos falando em todos os aspectos: desde os culturais, com a conscientização/educação da população e da sociedade no respeito das diferenças, no afastamento de preconceitos e na integração social adequada do PCD no ambiente profissional, como também de acessibilidade.”

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