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Saiba qual o momento de convencer o recrutador de que a vaga é sua

A etapa está se tornando cada vez mais comum no recrutamento e já faz parte da realidade nos principais programas de trainee e estágio


Ter um bom currículo é importante. E vender seu peixe na entrevista de emprego também. Mas a etapa que vai convencer um empregador que você é o profissional perfeito para um vaga é o “business case”.

Traduzindo o termo em inglês que ganhou popularidade no mundo do RH, essa é a etapa da resolução de um problema de negócios.

Longe de ser um problema avançado de matemática ou uma pergunta maluca sobre seu passado, essa etapa deve ser uma troca de experiências entre o empregador e o entrevistado: a ideia é mostrar um problema que enfrentado no dia a dia da empresa e que a pessoa mostre como solucionaria aquilo.

“Existem dois objetivos: primeiro, para quem está recrutamento, é mais fácil analisar o candidato inserido no contexto próximo da realidade; segundo, do outro lado, o candidato vai ter uma chance de testar o modo de trabalho da vaga que está tentando”, fala o sócio da Bain & Company, André Bolonhini.

Segundo ele, é possível analisar várias características comportamentais e o raciocínio da pessoa. Assim, a etapa se torna cada vez mais presente em programas de trainee, estágio e até mesmo nas vagas efetivas.

Treinando o “business case”

Essas duas motivações que tornam o desafio universitário uma proposta atraente para as empresas e para os estudantes. Na Bain, o Desafio Estratégico já está em sua 14ª edição. Nesse ano, o programa será completamente online e deve ter mais inscritos que os 2 mil estudantes do ano anterior.

Na iniciativa, os grupos passam por três etapas até a final com os times finalistas da Argentina, Chile e Peru. Os vencedores ganham um curso online em escolas de negócios do mundo, uma visita imersiva na Bain e um “vale” para pular direto para as entrevistas finais do processo seletivo da empresa.

“Os candidatos passam a entender o que é o trabalho da consultoria. Trazemos o cliente para ser jurado na fase final, então o case a ser resolvido é inspirado no caso real desse negócio”, explica o sócio.

A diretora global de pessoas da VTEX, Flavia Vergili, conta que esse contato com os profissionais e executivos das empresas é muito valioso para os candidatos e deve ser valorizado.

Na resolução do “business case”, os profissionais têm acessos a dados e a possibilidade de pesquisar, tirar dúvidas e trocar ideias com especialistas.

“É comum que a empresa deixe aberto para a pessoa fazer a quantidade de perguntas que tiver e investigar o negócio. Assim, conseguimos avaliar como a pessoa entende o problema, o analisa e prepara a apresentação da sua ideia”, fala a diretora.

Para os especialistas, a resolução de problemas adaptada para o contexto de trabalho de cada empresa é uma grande tendência do recrutamento. As companhias devem começar a abandonar o costume de fazer testes genéricos ou perguntas mirabolantes nas entrevistas de emprego.

A construção de um “business case” ajuda a recrutar de maneira mais intencional. E é possível se preparar para o momento.

Dicas para a seleção

O nome usado é em inglês e pode parecer tudo muito novo, mas a solução de problemas exige algumas habilidades que os profissionais conhecem de longa data. Os candidatos precisam demonstrar seu raciocínio lógico, comunicação, trabalho em equipe e argumentação.

Para a diretora da VTEX, o primeiro ponto para se preparar para a etapa de um processo seletivo é entender como a empresa a organiza: o candidato terá disponibilidade de pesquisar o tema e consultar pessoas? Ou precisará formar premissas sobre o cenário apresentado?

Dessa forma, o profissional ou estudante precisa pesquisar sobre a empresa que vai tentar uma vaga, notando como funciona o negócio e perguntando ao RH mais detalhes da seleção.

No processo online, ela também recomenda aos candidatos que sejam genuínos e não peçam ajuda para amigos. “Seja você mesmo. Não adianta pedir para outra pessoa fazer uma apresentação que você depois não conseguiria explicar”, comenta ela.

O sócio da Bain recomenda o próprio site do Desafio Estratégico Bain para se preparar: “O site não tem só o regulamento e as inscrições, mas tem simulados dos anos anteriores. Nossa ideia é que todos entrem preparados para o desafio. Se a pessoa está mais tranquila, podemos realmente testar sua capacidade de resolver um problema”, fala.

Outra recomendação dele é treinar com amigos ou procurar uma comunidade na internet que esteja se preparando para a seleção. “Existem clubes e grupos de WhatsApp e Facebook. As pessoas recomendam leituras, dividem material e aplicam o case um com o outro. Isso ajuda muito”, diz ele.

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