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Quanto mais estudo, maior é a capacidade de empreender
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O Globo



No Brasil, 92,5% das pessoas acham que ser empreendedor e ter o seu próprio negócio significa assumir responsabilidades, 76% dos brasileiros dizem querer ter o seu negócio, taxa que fica apenas atrás da Turquia (82%) e, ainda, 86,9% acham que ter um negócio é sinônimo de muito trabalho. Além disso, 24% dos empreendedores cujos negócios têm funcionários possuem nível superior. Os números são resultado de uma pesquisa sobre cultura empreendedora feita pela Endeavor Brasil com o apoio da Ibope Inteligência.

Foram ouvidos 3.240 brasileiros — empreendedores e não empreendedores — para mapear os principais perfis de empreendedores e potenciais empreendedores no país entre novembro de 2011 e fevereiro de 2012. Os resultados foram comparados com os obtidos pela pesquisa internacional do European Comission, o Flash Eurobarometer, sobre empreendedorismo em mais de 30 países, incluindo Estados Unidos, Coreia do Sul, China e a União Europeia.

— O objetivo da pesquisa foi tentar definir, a partir do corte social, econômico e demográfico, perfis e características de empreendedores brasileiros. Tínhamos dificuldades em definir os diferentes empreendedores e tentamos, através desta pesquisa, retratá-los — explica Juliano Seabra, diretor da Endeavor Brasil.

Quanto à escolaridade, a pesquisa revelou que 11% dos empreendedores entrevistados cursaram até o ensino superior, 35% até o ensino médio e 46% somente até o ensino fundamental. O empreendedor com funcionários possui o maior nível de escolaridade entre todos os ouvidos na pesquisa. Dos entrevistados, 28% é de empreendedores, sendo que 4% não têm funcionários, 6% têm funcionários e 18% não veem a atividade como um negócio (os autônomos, por exemplo). “Isso reforça a opinião de que é importante, sim, investir na educação empreendedora”, diz o material da pesquisa.

— A gente ainda vive uma primeira geração de empreendedores e ainda é muito forte a ideia do empreendedor herói, que não precisa se qualificar. O mito de empreendedor herói precisa se desmistificar, é preciso mostrar para as pessoas que, o quanto mais elas se capacitam, melhor poderão empreender — diz o diretor da Endeavor, que aponta formas para melhorar o nível educacional dos empreendedores. — As universidades têm um papel importante na formação dos empreendedores, a imprensa tem um papel importante de informar os empreendedores das formas de capacitação. Além disso, há vários recursos disponíveis para o empreendedor se capacitar. A própria Endeavor tem um portal com mais de 600 vídeos e cursos de educação à distancia disponíveis para o empreendedor buscar informações e ter um resultado melhor.

19% dizem ser muito provável abrir um negócio nos próximos cinco anos

Embora 76% dos entrevistados tenham dito que pretendem ter sua empresa, quando perguntados sobre a probabilidade de empreender nos próximos cinco anos, os números caem: 19% responderam “muito provável”, 33% provável, 20% pouco provável e 22% nada provável. O que, ainda assim, representa taxas mais altas do que países como China, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e União Europeia.

— Isso é um reflexo do momento do país, temos hoje um país muito mais estável com crescimento e emprego. As pessoas enxergam agora como opção concreta de carreira, não somente uma necessidade — explica Seabra, que destaca, como resultado da pesquisa, os números ligados à educação.

Os 76% de brasileiros que querem ser empreendedores no futuro citam “Independência pessoal e autorrealização” como justificativa mais recorrente (65%). “Melhor perspectiva de renda futura e oportunidade de ganhar mais” vem logo em seguida (com 58%), antes de melhor perspectiva de renda (45%). Mesmo que 76% da população queira empreender e a maioria abra negócios por enxergar oportunidades, existem 19% que preferem ser empregados a ter o próprio negócio, pelos seguintes motivos: estabilidade de emprego (50%), direito à Seguro Social e outros benefícios (38%), para evitar incertezas do mercado de trabalho (33%), falta de recurso para começar o próprio negócio (12%), número de horas fixas de trabalho (11%), excesso de burocracia do Governo (9%), falta de habilidade/experiência pessoal (9%) e falta de ideia para começar (8%).

— Na medida em que a gente consegue entender que há diferentes perfis, as organizações que trabalham com empreendedores, como governo, universidades e ONGs, conseguem construir programas para cada perfil. O maior legado que a pesquisa gerou é a revelação de que não existe uma solução única para o empreendedor: cada um tem uma necessidade e nível de experiência diferente, e a solução precisa ser desenvolvida a partir do seu perfil e realidade — conclui Juliano Seabra.

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