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Pesquisa mostra a evolução na contratação de estudantes negros

Entenda como os processo de seleção estão mudando e ajudando as empresas a trazer mais diversidade para os times


(We Are/Getty Images)

As metas de diversidade e mudanças nos programa de estágio de empresas estão mostrando seus efeitos: segundo dados da Companhia de Estágios, a contratação de estudantes pretos e pardos aumentou 148% desde 2018.

Segundo o CEO e fundador da consultoria de recrutamento e seleção, Tiago Mavichian, os números mostram uma aceleração forte da mudança de perfil do estagiário. Para ele, os números são o efeito de uma mudança dentro das empresas.

“As empresas saíram de discursos para a prática atacando os principais itens que tiravam as pessoas negras das seleções”, explica ele.

Embora os requisitos para vagas de estágio tenham começado a mudar a partir de 2018, com algumas empresas experimentando retirar as exigências de inglês avançado, faculdades consideradas de “primeira linha” ou experiência prévia na área, o executivo aponta que o processo para realmente deixar de avaliá-las demorou mais.

No último ano, a Cia de Talentos também viu um aumento em seus programas de trainee e estágio com foco em diversidade: as contratações de jovens negros cresceram 118% em relação a 2019.

“O desemprego é maior entre jovens negros. Acredito que a alta gestão começou a receber esse dado e se conscientizar. E compraram a causa de verdade. Dois grandes pilares para conseguir uma real mudança é a conscientização interna e adotar uma nova mentalidade sobre as habilidades que busca”, diz ele.

A troca de mentalidade é não mais esperar um talento pronto, mas dar as ferramentas para que a pessoa com mais afinidade com a cultura da empresa cresça ali dentro.

A pesquisa da Cia de Estágios mostra que apenas 6% dos negros contratados em 2018 não tinha experiência prévia. Esse número cresceu e chegou a 18,8% em 2020.

Segundo dados do Manpowergroup, apenas 5% da força de trabalho brasileira tem proficiência no inglês. Assim, ao exigir um nível avançado ou fluente da língua, já é feito um recorte de quem teve recursos para avançar tão rápido no aprendizado.

Dados do nível de inglês entre negros contratados para estágio (Luísa Granato/Exame)

A alternativa nos programas de estágio – e de trainee – é oferecer cursos de inglês para os contratados. É um dos benefícios oferecidos pela Bayer e pelo Magazine Luiza em seus programas de trainee para pessoas negras.

“Uma provocação que faço sempre é que você não pode trazer perfis distinto para os candidatos finais. Você não cumpre seu papel se traz para o gestor um candidato branco com inglês avançado e intercâmbio e um negro sem nada disso. Isso só vai reforçar o estereótipo. Você precisa trazer um equilíbrio”, fala o CEO.

Um programa somente com estudantes negros ajuda a derrubar qualquer perfil pré-fabricado e olhar para o potencial dos candidatos. Com as vagas abertas para o público geral, é preciso ter atenção para que a avaliação seja justa e igual.

Mudança de perfil

Pela primeira vez na história, a Universidade de São Paulo teve neste ano a maioria dos ingressantes vindos da educação pública. Essa é uma das metas das políticas de cotas para a inclusão racial e socioeconômica no ensino superior público. Políticas como o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e ProUni também tiveram efeito nas universidades privadas.

Segundo dados do IBGE de 2019, o número de alunos pretos e pardos matriculados em universidades públicas superou a taxa de estudantes brancos pela primeira vez, chegando a 50,3%.

“E a gente percebeu dentro da base de dados da empresa que quanto mais oportunidades de aprendizado, mais os candidatos negros se tornaram competitivos. Tecnicamente falando, todos competem de igual para igual”, fala o CEO.

Na última década, o perfil dos calouros mudou: em 2010, negros e indígenas eram 5%; hoje, são 25,2% dos entrantes. Hoje, a Unip (Universidade Paulista) é a que mais tem alunos negros. Em segundo lugar, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) tem a melhor representatividade entre as instituições públicas.

As 20 universidades com mais estudantes pretos
  1. Universidade Paulista – UNIP
  2. Universidade São Judas Tadeu – USJT
  3. Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP
  4. Universidade de São Paulo – USP
  5. Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ
  6. Instituto Presbiteriano MACKENZIE
  7. Universidade Anhembi Morumbi
  8. Universidade Nove de Julho – UNINOVE
  9. Universidade Estácio de Sá
  10. Centro Univ. das Fac. Metropolitanas Unidas – FMU
  11. Centro Universitário Alvares Penteado – FECAP
  12. Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ
  13. Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
  14. Universidade Cruzeiro do Sul – UNICSUL
  15. Centro Universitário SENAC Campus Santo Amaro
  16. Faculdade Zumbi dos Palmares
  17. Facul. Paulus de Tec. e Comunicação – FAPCOM
  18. Centro universitário da FEI
  19. Universidade Federal do ABC – UFABC
  20. Pontifícia Univ. Católica de MG – PUC MINAS
As 20 universidades com mais estudantes pardos
  1. Universidade Paulista – UNIP
  2. Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP
  3. Instituto Presbiteriano MACKENZIE
  4. Universidade São Judas Tadeu USJT
  5. Universidade Anhembi Morumbi
  6. Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
  7. Universidade Nove de Julho – UNINOVE
  8. Universidade de São Paulo – USP
  9. Universidade Estácio de Sá
  10. Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ
  11. Centro Univ. das Faculdades Met. Unidas – FMU
  12. Centro Universitário da FEI
  13. Universidade Federal do ABC – UFABC
  14. Centro Universitário CEUNI – FAMETRO
  15. Inst. Fed. de Ed. Ciência e Tec. de São Paulo – IFSP
  16. Univ. Est. Paulista Julio de Mesquita Filho – UNESP
  17. Universidade Federal Fluminense – UFF
  18. Universidade Federal de São Carlos – UFSCAR
  19. Centro Universitário Alvares Penteado – FECAP
  20. Centro Universitário das Américas – FAM

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