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Para especialistas, Trump não sabe ser demitido. Como agir nessa hora?

Uma demissão não é agradável para ninguém. Mas existe uma forma de sair por cima na situação? Confira a análise dos especialistas de RH


(Win McNamee/Getty Images)

You’re fired! Quando a frase (você está demitido, na tradução do inglês) mais famosa de Donald Trump no programa The Apprentice se voltou contra ele, o presidente americano se negou a aceitar a vitória do rival Joe Biden.

Mesmo após alegar consecutivas vezes que houve fraude na votação (sem apresentar provas) e seu seguidores invadirem o Capitólio nessa semana, não teve jeito: o Congresso americano confirmou a vitória de Joe Biden nas eleições.

E Trump teve que mudar o tom: ele pediu “reconciliação” e prometeu uma transição “suave” de governo. No entanto, ele publicou no Twitter que não estará presente na cerimônia para passar o bastão para Biden.

Segundo especialistas de RH, Trump mostrou que não sabe ser demitido. E também que, como no mundo corporativo, protestar ou esbravejar jamais vai mudar a decisão de um desligamento.

Mário Custódio, diretor associado responsável pela área de recrutamento executivo da Robert Half, lembra que demissões não são prazerosas para nenhum dos lados. E ele invoca o mundo dos reality shows, que Trump bem conhece, para explicar as possíveis reações à notícia:

“Você vê nos programas como The Voice. A pessoa canta e acaba que não é escolhida. Alguns falam no final que vão levar em consideração o feedback dos jurados. E tem gente que é reativa com o feedback. E isso é muito complicado. Você precisa ter humildade para aceitar, na medida do possível, o que motivou a chefia a tomar a decisão. O que deixou de fazer? O que fez e não deveria? O que pode melhorar”, fala ele.

Paulo Moraes, diretor da Talenses Group, também acredita que é necessário ter humildade na hora de reconhecer que seu ciclo se encerrou.

“Diferente de Trump, ser demitido numa empresa não é uma derrota. Faz parte da carreira de todo mundo. A gente sofre menos quando entende isso. Criar uma situação extrema para não sair do posto acaba gerando desconforto e prejudica sua imagem”, fala ele.

É o alerta que Fernanda Medei, CEO e fundadora da Medei, plataforma que dá auxílio para desligamentos mais humanizados, dá: uma reação como a de Trump pode manchar a reputação de um executivo e fechar futuras portas na carreira.

“Mesmo sendo um momento difícil e de luto, é preciso ter cautela e ser anti-frágil. Se quando for demitido for reativo e falar algo que se arrependa, o mundo corporativo é ‘pequeno’, pode encontrar ex-gestores, colegas e parceiros que podem não dar novas oportunidades”, comenta ela.

O momento do desligamento é difícil, mas os especialistas recomendam ouvir o feedback para sair com a cabeça erguida. Para aprender com os erros, é necessário ter consciência de onde você falhou.

Segundo o direito da Robert Half, quando a demissão é feita corretamente, ela nunca é uma surpresa.

“Quando você está sendo desligado, existe pouco espaço para retrucar, a decisão já está tomada e não faz sentido brigar. Você só vai entrar numa situação de desgaste por causa disso. E, tirando uma justa causa, sempre existem passos que precedem a demissão. Ele vem como um aviso de mau comportamento ou um desempenho abaixo do esperado. Nesse momento, a pessoa pode correr atrás para reagir e reverter um processo que não está funcionando”, fala ele.

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