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Nem o RH escapa: o que a geração Z acha ‘cringe’ nas entrevistas

A consultoria PageGroup verificou que situações em processos seletivos são "cringe" para os mais jovens, o termo da vez
Tempo de leitura: 4 min


(We Are/Getty Images)

As etapas de processos seletivos de empresas não escaparam das acusações da geração Z do que é ser cringe (constrangedor ou mico, em inglês).

Desde as últimas semanas, o termo dividiu os jovens dos “mais-jovens-ainda” nas redes sociais. A geração Z, de nascidos pós-1995, apontou que diversas paixões da geração Y, conhecidos também como millenials, eram vergonhosas.

Entre elas estava tomar garrafa de cerveja de um litrão, o popular litrão, e gostar dos filmes de Harry Potter.

A consultoria de Recursos Humanos PageGroup quis saber que tipo de coisa em um processo seletivo é cringe para essa geração. Para isso, fez questionamentos em seu LinkedIn, e seus consultores esmiuçaram os pontos mais interessantes.

A geração Z não quer saber de responder sobre questões pessoais que abordam como suas famílias são formadas e acham o cúmulo precisar levar um currículo impresso a uma entrevista.

Perguntas aleatórias sobre signos ou “Se você fosse um animal, qual seria?” também estão na lista.

Para Júlia Pedroso, gerente do PageGroup, esta geração ajuda a trazer boas reflexões para empresas e gestores de pessoas sobre o que já é ultrapassado.

Na lista do PageGroup sobre o que é cringe no recrutamento, estão alguns outros pontos. Veja mais abaixo:

  • Levar currículo impresso e/ou preencher um formulário longo em papel;
  • Ter muitas etapas no processo seletivo;
  • Perguntas sobre a composição familiar: Qual o seu estado civil? Se você pretende ter filhos, em quanto tempo?;
  • Entrevista presencial em tempos de pandemia;
  • Perguntas aleatórias: sobre signo ou qual animal seria;
  • Perguntas sobre planejamento de carreira a longo prazo;
  • Pedir experiência comprovada para processo de estágio.

Um dos principais pontos destacados pela executiva do Page Group são as perguntas sobre a composição familiar ou vontade de ter filhos.

Esse tipo de abordagem em entrevista de emprego, na visão da geração Z, pode evidenciar uma desigualdade de gênero e vieses machistas.

Por ser mais imediatista, a geração Z não quer responder sobre onde se vê daqui a 10 anos. Segundo Júlia Pedroso, eles veem essa pergunta como constrangedora justamente porque visualizam a carreira de um jeito ainda mais flexível e mutável do que a Y.

Outras características dessa geração que está entrando no mercado de trabalho é que são elas mais individualistas, o que não significa egoísta. É a geração mais propensa a empreender e não ficam em uma empresa caso se sintam desconfortáveis.

“Essas pessoas não ficarão muito tempo na mesma cadeira. Se ela não percebe que vai ter uma promoção, ela sai. É cada vez mais raro você encontrar jovens profissionais que ficam 5 anos na mesma empresa. E isso traz o desafio dos setores de Recursos Humanos lidarem com um turnover acelerado, explica Julia.”

Geração Z versus a Y

Apesar da rivalidade entre a Geração Z e millenials que tomou conta das redes sociais nas últimas semanas, os dois grupos são mais parecidos do que diferentes quando se trata da cultura dentro do ambiente de trabalho.

Os millenials têm características da geração Z, como não “engolir sapo”, valorização da flexibilidade e desejo por propósito, mas a geração Z é mais radical.

Segundo o estudo “Futuro do trabalho: 20 tendências para você e sua empresa navegarem” da ManPowerGroup, a geração Z justamente “amplifica as bandeiras dos seus antecessores”.

No Brasil, os millenials já ocupam 50% das posições no mercado de trabalho, segundo a empresa. Outro levantamento da ManPowerGroup com base em dados da Organização das Nações Unidas mostra que juntas as duas gerações já são quase 60% da força de trabalho mundial.

Consultores ouvidos pela Exame preferem fazer a divisão das gerações juntado a geração Z e Y de um lado, e de outro a geração X e os baby boomers.

“Existem semelhanças e diferenças entre eles, mas as diferenças são mais marcantes quando comparamos com as gerações X e Boomers. A geração Z e Y trabalham juntas de uma forma mais equilibrada. Elas buscam carreira e benefícios, apesar de a Z ter mais ansiedade quanto ao próximo passo. Eles tem uma ambição de crescimento mais rápido”, explica Júlia Pedroso.

Para quem ainda tem dúvidas, os boomers são aqueles que nasceram pós a 2ª Guerra Mundial, num momento chamado de baby boom, entre 1946 e 1964. Já a geração X nasceu entre 65 e 80, a Y entre 80 e 2000 e a Z no pós-2000.

Essa visão de que a geração Y e Z são mais parecidas do que parece é compartilhada por Leonardo Berto, especialista em recrutamento da consultoria Robert Half. Ele destaca, porém, que a geração Y tem uma busca pelo crescimento vertical e de profundidade, enquanto a Z quer experiências, com trocas de função.

“São duas gerações que se comportam de forma parecida, com o propósito de carreira, a bandeira da diversidade de forma muito forte, e trazem isso no seu discurso. Elas querem crescer rápido, ter um desenvolvimento de carreira, mas a Z tem preocupação de ter mais experiências, estabelece menos raízes, quer a troca de função de maneira mais rápida”, explica.

Leonardo ressalta também que essa experiência não significa uma ascensão, já que liderança requer profundidade.

“Outro ponto de diferente entre as gerações na busca por emprego é que a geração Z é mais seletiva do que os millenials na procura por empresas com bandeiras de inclusão e propósito”.

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