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Grupo do iFood abre 30 vagas em programa para formar líderes negros

Os contratados terão início imediato em fevereiro e passarão por programas de aceleração de carreira, com acesso a cursos EAD de Harvard e do MIT


(Camila Fontana/Exame)

A Movile, grupo das empresas iFood, Sympla, PlayKids, Zoop, Wavy e MovilePay, está contratando para mais de 30 vagas de nível sênior à diretoria — todas para profissionais negros. O programa de liderança, chamado Empretece, é mais uma iniciativa do grupo para ter diversidade em todos os níveis hierárquicos da empresa.

No Brasil, profissionais negros são maioria nos cargos de entrada, como Jovem Aprendiz, mas representam menos de 5% do quadro executivo. Nathalya Carvalho, Líder do AfroMovile, grupo interno de etnia da empresa, conta que o programa é uma medida afirmativa para promover a diversidade diretamente na liderança.

“Percebemos que ainda há muito a ser feito para trazer inclusão para as posições dos mais diversos níveis do Grupo Movile e, por isso, lançamos o Empretece, com o desejo de dar um passo adiante e criar um processo seletivo seguro e organizado para profissionais negros”, afirma.

As vagas só serão fechadas quando os recrutadores encontrarem um profissional negro ideal para ela.

Em entrevista para a reportagem Antirracismo institucional da edição de outubro da Exame, Matheus Fonseca, coordenador de marca empregadora, adiantou que o programa seria o próximo passo nas metas de inclusão.

A Movile já realiza há dois anos o Mobile Dream, programa de estágio e jovens talentos, que busca atrair cada vez mais talentos diversos. Durante o ano, o grupo começou uma análise também dos cargos mais sênior que poderiam entrar no Empretece.

O programa fará a aceleração de carreira dos profissionais contratados, com trilhas de desenvolvimento usando parceiros como Harvard, MIT e mais cursos EAD.

Todos terão uma vaga na turma para formação e capacitação de lideranças do Grupo Movile e também acesso total ao MyAcademy, plataforma de educação que conta com mais de 40 mil cursos de parceiros como Udemy e Harvard.

As empresas também oferecem bolsa para aulas de inglês e flexibilidade de horário, além dos benefícios mais comuns como vale-transporte e vale-refeição.

Cada vaga tem seus requisitos, que serão checados na primeira etapa de seleção. De dezembro a janeiro, já serão feitas as entrevistas. Os aprovados receberão uma proposta em fevereiro e o início será imediato. As inscrições ficam abertas até 17 de janeiro pelo site.

Evolução da diversidade

Em 2018, a Movile criou um grupo de trabalho com foco em executar o projeto de inclusão com agilidade, metas e ações concretas para suas empresas.

No ano seguinte, o programa de estágio e jovens talentos da empresa, totalmente reformulado para tirar barreiras de inclusão e vieses inconscientes de contratação, começou a mostrar resultados: entre mais de 25.000 inscritos, a Movile selecionou 60 pessoas, sendo 46% mulheres, 42% negros e 25% LGBTQI+.

No programa de 2020, a fase de dinâmicas em grupo, o Movile Experience, que acontece depois da triagem inicial de testes e antes das entrevistas com RH e gestores, também teve uma composição diversa de candidatos. Foram 52% de pessoas negras, 53% de mulheres e 35% de LGBTI+.

“Acho que algumas coisas evoluíram. O fato de estarmos trabalhando a diversidade com constância facilitou o processo de atração de pessoas mais diversas. Os candidatos estão percebendo que não é esforço momentâneo ou uma ponta solta”, fala Fonseca.

Na seleção, a EXAME foi convidada a acompanhar um dia da dinâmica de grupos. Um dos grandes destaques foi a transparência com esses dados do programa, que foram abertos para os candidatos. O motivo é que todos se responsabilizem por cobrar a empresa que a diversidade no processo esteja presente no resultado final.

“Quando se fala em diversidade, você corre o risco de ficar só no discurso. ‘Mais uma empresa com discurso bonito’. E temos dois motivos para abrir os dados: prestação de contas e possibilitar que as pessoas nos cobrem”, explica ele.

Em 2020, o desafio também foi adaptar o dia de atividades presenciais para o ambiente virtual. Usando as ferramentas Zoom e Discord, os candidatos ainda puderam ter uma experiência completa, com acesso para tirar dúvidas, pedir ajuda e conversar com funcionários da Movile e outros selecionados.

“Foi um aprendizado positivo, não sei se vamos voltar a fazer offline. Pessoas do país inteiro e de outros países puderam participar. O online deu muita acessibilidade geográfica e quebrou uma barreira enorme de acesso, não só de agenda, mas financeira. Muita gente não consegue vir para São Paulo em cima da hora ou pagar passagem”, conta Fonseca.

A hora da videoconferência também foi um momento de revelação. Até aquele momento, os recrutadores do grupo não sabiam nenhum dado pessoal dos candidatos. Tudo o que tinham eram seus resultados nos testes de habilidades e de perfil. E as estatísticas gerais sobre raça, gênero e orientação sexual.

Ao longo da tarde, os próprios candidatos comentaram o efeito mais positivo de tanta diversidade e transparência. Eles estavam confortáveis para mostrar quem realmente eram — um deles até foi fantasiado para a seleção (pois era véspera do Dia das Bruxas).

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