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Fumantes têm 30% menos chance de conseguir emprego
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Por Época

Um estudo publicado nesta segunda-feira (11) pelo Jornal da Associação Americana de Medicina indica que desempregados fumantes têm menos chances de conseguir um novo emprego em comparação com aqueles que não fumam. A pesquisa, liderada pela psicóloga Judith Prochaska, da Universidade Stanford, mostra que os fumantes que conseguem voltar ao mercado de trabalho recebem salário menor. Eles ganham cerca de 5 dólares a menos por hora do que os que não fumam. Considerando uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, são 800 dólares a menos por mês (aproximadamente R$ 3.200).

Os pesquisadores acompanharam 217 desempregados (109 fumantes e 108 não fumantes) no Estado da Califórnia por um ano. No final desse período, 29 fumantes conseguiram trabalho, enquanto 60 não fumantes, o dobro, estavam empregados novamente. A diferença é significativa. Isso mostra que fumantes tiveram 30% menos chances de conseguir um novo emprego do que os não fumantes. Nos municípios em que o estudo foi feito, há leis que proíbem o fumo em locais de trabalho fechados. No Brasil, a Lei Antifumo proíbe fumar em lugares fechados – públicos e privados – mesmo que o ambiente esteja só parcialmente fechado por um toldo ou outra estrutura.

Dentre os fumantes, quase a metade (45%) afirmou que o empregador anterior incentivou o fumo ou lhe ofereceu cigarros. Outros 35% foram criticados por seus chefes por fumar. A causa da demissão de 8,4% dos fumantes foi justamente o cigarro. Apenas 7% dizem ter recebido apoio dos empregadores para deixar o vício. Algumas empresas já adotam estratégias para diminuir os gastos com saúde investindo em campanhas antitabagismo. Outras dão incentivos financeiros para os trabalhadores que conseguem largar o cigarro. Algumas adotam políticas mais duras: proibem fumar durante o horário de trabalho e aumentam o valor da coparticipação no plano de saúde do funcionário fumante.

O estudo não pode afirmar que o tabagismo é a causa da dificuldade de conseguir emprego. Mas os pesquisadores especulam que talvez essa seja uma das explicações para a associação encontrada no levantamento. Os empregadores temeriam ter mais gastos com saúde com empregados fumantes e, por isso, evitariam a contratação. Há ainda a possibilidade de que o tabagismo não seja a causa, mas um sintoma da verdadeira causa da dificuldade desse grupo se colocar no mercado. Os que permaneceram desempregados ao longo do estudo têm menor nível de educação e menor qualificação e, consequentemente, menor acesso a informações de saúde. A análise do perfil dos desempregados feita pelos pesquisadores sugere que essa hipótese é plausível. Os fumantes são significativamente mais jovens e com grau de escolaridade mais baixo. A maioria estudou até o ensino médio.

Essa não é a primeira vez que a associação entre tabagismo e desemprego é estabelecida por um levantamento. Um estudo feito a partir do censo americano realizado entre 2006 e 2007 sugere que a taxa de desemprego entre trabalhadores da construção civil é maior entre os fumantes. Enquanto 11% dos fumantes estavam desempregados, apenas 6,4% dos não fumantes estavam na mesma condição. Ambos os grupos tinham nível de escolaridade semelhante.

A próxima etapa da pesquisa avaliará o efeito de um tratamento antitabagismo no tempo de recontratação de um grupo de desempregados fumantes. Mas o recado os pesquisadores já deram: para aumentar as chances de reinserção no mercado de trabalho, parar de fumar é uma boa medida. A saúde também agradece.

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