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Empresas testam novas formas de estimular a colaboração de funcionários

O Globo

Muitas empresas estão pensando em novas formas de incentivar a interação entre funcionários que normalmente não se relacionam uns com os outros. A esperança dessas organizações, como mostra reportagem do The Wall Street Journal, é que bate-papos informais entre pessoas que possuem habilidades diferentes possam desencadear novas ideias e soluções ou, no mínimo, gerar uma maior camaradagem no ambiente de trabalho.

De acordo com o jornal americano, para incentivar essas conexões, algumas empresas estão recorrendo à ciência — coletando e analisando dados de suas equipes e calculando matematicamente a probabilidade de os empregados se encontrarem. Em alguns casos, elas estão reduzindo as áreas de trabalho para que seus funcionários estejam mais propensos a se encontrar. Em outros, as companhias estão instalando joguinhos para fomentar bate-papos em lugares de pouca conversa, como nos elevadores.

Mas apesar de todo o burburinho em torno da necessidade de promover um ambiente em que a criatividade brote em momentos inesperados, é difícil saber com certeza se esses esforços realmente funcionam. O verdadeiro desafio, dizem estudiosos sobre o local de trabalho, não é tanto conectar os funcionários com seus colegas, e sim conectá-los com as pessoas certas.

“As relações mais produtivas são difíceis de construir”, diz Jason Owen-Smith, sociólogo da Universidade de Michigan que estuda a colaboração entre empregados, em entrevista ao WSJ.

A nova sede do Google Inc. na Califórnia, que deve ficar pronta em 2015, foi projetada para maximizar conversas informais entre empregados. A empresa diz que esse tipo de interação é responsável por inovações como o Gmail e o Street View. O complexo terá nove prédios e será chamado de BayView. O projeto prevê ainda que os funcionários possam trabalhar a maior parte do tempo aproveitando a iluminação natural. Cerca de 13 mil funcionários vão trabalhar no local.

“Queremos que seja fácil que os empregados se encontrem e colaborem uns com os outros”, diz um porta-voz do Google.

Não surpreende que o plano seja movido pela obsessão do Google com os dados. Por exemplo, cada empregado nos mais de 100.000 metros quadrados do novo complexo de vários andares da empresa vai estar a uma caminhada de dois minutos e meio um do outro. O Google e a empresa de arquitetura com que trabalha, a NBBJ, mediram a rapidez com que as pessoas caminham e o diâmetro do espaço a partir de vários ângulos. Uma passarela “infinita” será instalada em todo o prédio de forma a conectar os empregados. Além disso, a planta dos andares é mais estreita que em escritórios tradicionais para que uma equipe possa ver a outra.

Estudos detectaram que ter colegas que trabalham em estreita proximidade está diretamente relacionado com o aumento na colaboração. Pesquisadores da Universidade de Michigan que estudaram um grupo de 172 cientistas descobriram recentemente que quando compartilhavam os mesmos edifícios e se cruzavam diariamente no local de trabalho — caminhando entre o laboratório, o banheiro mais próximo e o elevador — essas pessoas foram significativamente mais propensas a colaborar umas com as outras: para cada 30 metros de zonas de trabalho sobrepostas, as colaborações aumentaram em até 20%.

Quanto mais você se encontrar com um colega, mais provável será que você inicie uma conversa, diz Owen-Smith, o principal autor do estudo.

“Se uma pessoa sabe coisas que você não sabe, este processo pode levar a uma troca de informações”, diz Owen-Smith.

A rede varejista on-line Zappos vai inaugurar no fim do ano uma nova sede de 18.600 metros quadrados em Las Vegas, totalmente planejada para incentivar a interação entre empregados. As áreas de recreação serão bem pequenas, de modo que seja inevitável que as pessoas se encontrem, diz Patrick Olson, gerente de desenvolvimento da Zappos. A empresa fechou uma passarela que conectava o estacionamento com o prédio para que as pessoas andem mais para chegar ao escritório e assim conversem com outras no caminho. Nos elevadores, ela vai instalar jogos digitais para ajudar a quebrar silêncios constrangedores, diz Olson.

Há novas formas sendo testadas para quebrar o gelo e aproximar os empregados. David Rose, pesquisador do MIT Media Lab, se uniu às empresas de design Gensler e Tellart para criar várias instalações interativas que serão testadas em escritórios da empresa de tecnologia Salesforce.com.

Entre as instalações há o quiosque “botão de almoço”, que combina empregados com interesses comuns para que almocem juntos naquele dia. E há um “portal de bate-papo”, um sistema de videoconferência bidirecional anexado a mesas da cafeteria que permitem conversas informais entre empregados da empresa em escritórios ao redor do mundo.

As tentativas de estimular colaboração espontânea não são novas. Steve Jobs projetou a sede da Pixar com um único banheiro central, de modo que funcionários de toda a empresa se encontrassem ao longo do dia. E empresas vêm adotando cada vez mais planos abertos e mesas compartilhadas para que os empregados se misturem de forma mais ampla. Quando proibiu empregados de trabalhar à distância, a Yahoo observou num memorando a toda a equipe que os encontros casuais podem levar a novas descobertas importantes.

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