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Do Nubank à Movile: a corrida para contratar desenvolvedores

A busca pelos profissionais mais disputados do Brasil, que tem uma carência de vagas que chegará a 264.000 em seis anos


O descompasso entre a disponibilidade de desenvolvedores (os devs) no Brasil e a demanda das empresas é gritante. No país há, atualmente, apenas 2 milhões de trabalhadores graduados nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, o correspondente a 1,9% da força de trabalho, segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

De 2019 a 2024, de acordo com cálculos da Brasscom, a demanda média deve ser de 70.000 profissionais por ano. No entanto, em 2017, de 46.000 profissionais formados, apenas 26.000 entraram no mercado de trabalho, evidenciando uma defasagem no currículo das instituições. Nesse ritmo, ao final do período de seis anos, o déficit chegaria a 264.000.

Desde os anos 1980, quando os primeiros computadores começaram a surgir nas empresas e gênios como Bill Gates e Steve Jobs despontaram, o Brasil enfrenta a falta de profissionais de tecnologia. Nessa época, a carência era do pessoal de suporte, encarregado por fazer softwares hoje considerados pré-históricos funcionarem.

Aos poucos, a necessidade passou a ser também a de manter os profissionais conectados à rede e a pensar em novos serviços. As mudanças deslocaram os profissionais de tecnologia da função de suporte para o centro das decisões dos negócios.

Os desenvolvedores tornaram-se figuras fundamentais na criação de plataformas de comércio eletrônico, de aplicativos de mobilidade e de softwares de automação industrial, entre muitas outras funcionalidades.

E, à medida que a economia digital no país ganha mais peso nos segmentos mais tradicionais de atividade, a pressão por talentos de tecnologia aumenta. A consultoria Accenture estima que a economia digital no Brasil já responde por 24,3% do PIB do Brasil — o que equivaleria a 446 bilhões de dólares.

Desde 2015, todas as atividades produtivas que envolvem tecnologias digitais no país tiveram uma expansão de 20% — diante de um avanço de 1,2% da economia não digital no período. “A economia digital no país vem se diversificando rapidamente.

Antes ela era formada apenas por empresas que forneciam software e equipamentos. Agora, todo tipo de negócio precisa de uma camada robusta de tecnologia”, diz Pedro Waengertner, sócio e fundador da ACE Startups, aceleradora que já investiu em mais de 100 startups brasileiras.

Pesquisa do LinkedIn, em 2017, com sua base global de mais de 500 milhões de usuários, mostrou que a tecnologia é a área com maior rotatividade de profissionais (13,2%).

Em janeiro, o Nubank fez um acordo para contratar 50 funcionários da consultoria de desenvolvimento de software Plataformatec que já prestavam serviço para o banco digital. Também vem abrindo escritórios internacionais tanto para atrair profissionais que moram em outros países quanto para oferecer a seus funcionários o benefício de morar fora. Desde 2017, o Nubank tem um escritório em Berlim, na Alemanha.

Em 2019, foi a vez de a Cidade do México e de Buenos Aires, na Argentina, receberem filiais do unicórnio brasileiro, avaliado em mais de 10 bilhões de dólares.

A Movile, que criou algumas das mais bem-sucedidas startups brasileiras, como iFood e PlayKids, e é avaliada em 1 bilhão de dólares, abriu escritórios em Recife, Porto Alegre e São Carlos, no interior paulista, para atrair devs em polos regionais de inovação.

Em média, a companhia leva 45 dias para preencher uma vaga de desenvolvedor. Bem-vindo ao fabuloso mundo dos devs, os profissionais mais requisitados do mercado de trabalho no Brasil e no mundo.

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