Av. Senador Lemos, Umarizal, Belém/Pará
Até na prostituição se ganha mais com um curso superior
Page/Post Excerpt


Por norma, quanto mais elevadas as habilitações acadêmicas, maior será o salário. Dois economistas da Universidade Baylor do Texas e da consultora Compass Lexecon, Scott Cunningham e Todd Kendall, decidiram verificar se a regra também se aplica na prostituição, uma área profissional menos pesquisada, analisando o número de horas de trabalho e o vencimento de 700 trabalhadoras do sexo nos EUA e no Canadá. Nesta amostra, 40% das mulheres tinham concluído o ensino superior. O estudo revelou que as mulheres com um curso superior tendem a ganhar mais porque têm mais clientes e sessões mais longas.

“Descobrimos que o fator universidade está relacionado com uma participação menos frequente na prostituição, mas com um número maior de clientes e mais tempo passado com os clientes”, lê-se no relatório do estudo. Nestas sessões mais longas, as trabalhadoras do sexo tendem a conversar mais e a fazer companhia ao cliente, não se limitando a serviços sexuais.

As prostitutas com curso superior até ganham, em média, menos por hora do que aquelas sem grau acadêmico, mas acabam por trabalhar mais horas e têm mais clientes, muitos deles habituais, o que acaba por gerar um rendimento superior às colegas de profissão com menos qualificações. Num dos casos analisados no estudo, mostrou-se que uma trabalhadora do sexo com curso superior ganha aproximadamente mais 33%.

A informação recolhida remonta a 2009, mas as conclusões do estudo só foram publicadas no final de 2016. O relatório, em inglês, está disponível para consulta online.

Um mercado mais moderno e heterogéneo

Grande parte das trabalhadoras do sexo que participaram no estudo trabalham por conta própria ou pertencem a uma agência de acompanhantes, o que, consideram os autores, é “característico de um mercado de prostituição moderno”.

Outra característica nova é a forma como são encontrados os clientes. A prostituição passou a fazer uso de novas ferramentas tecnológicas: agora, as trabalhadoras do sexo podem encontrar e comunicar com clientes através das redes sociais ou de anúncios online. A internet facilita o agendamento dos encontros e, por outro lado, permite selecionar clientes considerados menos perigosos, contrariamente ao que aconteceria nas ruas. Também o risco de serem presas – trata-se, afinal, de uma atividade proibida na maior parte das jurisdições norte-americanas e canadenses – é menor do que na rua.

Por último, o estudo sugere que a indústria do sexo é mais diversificada do que aparenta ser através da velha imagem da prostituição de rua. Dentro do mercado atual, tendem a existir dois modelos de oferta: um que se resume ao sexo e em que os riscos são maiores para as trabalhadoras e, por outro lado, outro em que os riscos são menores e as sessões incluem mais do que sexo – sobretudo conversa e companhia. Neste último, as trabalhadoras do sexo que tenham estudos superiores tendem a estar em vantagem, já que ao longo do seu percurso desenvolvem os chamados soft skills, úteis na comunicação interpessoal.

Notícias relacionadas

Deixe um comentário

Preferências de Privacidade
Quando você visita nosso site, ele pode armazenar informações através de seu navegador de serviços específicos, geralmente na forma de cookies. Aqui você pode alterar suas preferências de privacidade. Observe que o bloqueio de alguns tipos de cookies pode afetar sua experiência em nosso site e nos serviços que oferecemos.