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Americanos aceitam trabalhar mais para ter fim de semana com três dias
Pesquisa mostra que modelo de trabalho com semana de quatro dias e carga horária de 10 horas agrada mais aos trabalhadores dos Estados Unidos
Tempo de leitura: 3 min


(Bill Pugliano/Getty Images)

Dois em cada três americanos aceitariam ter uma jornada de trabalho maior se isso significar um dia a mais de folga na semana.

Os resultados de uma pesquisa realizada pelo instituto YouGov mostram que eles preferem trabalhar quatro dias por 10 horas do que seguir o modelo atual de cinco dias com 8 horas, que também é o mais comum no Brasil.

A pesquisa entrevistou 23 mil norte-americanos e também questionou sobre os impactos na produtividade. Para 41% deles, essa mudança no formato da semana de trabalho a aumentaria. Enquanto isso, um número similar (37%) acredita que essas mudanças não alteraram a produtividade. Para 9%, porém, poderia haver uma queda.

É válido esclarecer o que é a produtividade. Ela pode ser entendida como a relação entre o que foi produzido e a quantidade de fatores que foram empregados, como pessoas, tempo e recursos.

A redução da semana de trabalho de cinco para quatro dias já tem sido experimentada em algumas empresas pelo mundo como uma forma de proporcionar um equilíbrio melhor entre vida pessoal e profissional para o funcionário. É válido destacar que no caso do cenário proposto pela pesquisa nos Estados Unidos a carga horária seria mantida.

A Unilever da Nova Zelândia decidiu adotar o modelo de redução da carga horária semanal em 2020, assim como a Microsoft no Japão. Além desses casos, o movimento mais recente foi impulsionado pelo governo da Islândia, país insular da Europa.

Islândia

Mais de 2.500 pessoas (cerca de 1% da força de trabalho da Islândia) em 100 empresas participaram de dois testes apoiados pelo governo da Islândia nos últimos anos. A semana de trabalho da maioria dos funcionários foi reduzida de 40 para 35 horas sem redução salarial.

Os testes na Islândia têm sido realizados ao longo de anos e os resultados da primeira fase foram divulgados pela Associação Islandesa de Sustentabilidade e Democracia em junho.

Ao contrário do que propõe a pesquisa realizada nos Estados Unidos, as iniciativas da Unilever e da Islândia reduziram a carga horária de trabalho e não só os dias trabalhados.

O primeiro teste ocorreu na capital da Islândia, Reykjavik, entre 2014 e 2019. No início, funcionários de creches e centros de serviços reduziram as horas de 40 para 35 por semana. O outro teste envolveu o governo geral do país a partir de 2017.

Segundo o relatório da Associação, a redução da semana de trabalho de cerca de 40 para 35 horas garantiu mais qualidade de vida para mães e pais solteiros, mais exercícios físicos e menos sintomas de estresse.

Apesar de não haver nenhuma legislação que obrigue a redução da carga horária, os testes feitos pelo governo da Islândia têm influenciado o setor privado.

A Associação Islandesa de Sustentabilidade e Democracia também afirma que 86% da força de trabalho do país migrou para contratos de trabalho que já diminuíram a quantidade de horas a serem trabalhadas na semana, principalmente para um modelo de 36 horas.

E no Brasil?

Por aqui, casos de grandes empresas reduzindo a carga horária em contratos são poucos, mas a pandemia normalizou o modelo de trabalho híbrido, com mais flexibilidade de horário e home office.

A empresa Zee.Dog, de acessórios para pets, porém, foi uma das que decidiu testar o modelo de semana mais curta para os funcionários ao mesmo tempo em que anunciou o home office definitivo no início da pandemia.

São 300 funcionários adotando o modelo que é intercalado. Em uma semana, o formato é de cinco dias de trabalho. Em outras é de quatro. Segundo a empresa, o objetivo é ter um comparativo. A empresa de produtos tem escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro, Madri (Espanha) e Shenzhen (China).

Para Lucas Nogueira, diretor de recrutamento da consultoria Robert Half, existem dois motivos que explicam por que as empresas são tímidas em reduzir a carga horária no Brasil.

“O primeiro é uma insegurança jurídica porque as empresas não podem reduzir salários com redução de horas trabalhadas. Se você tem serviço para entregar em um tempo, também precisaria contratar mais pessoas para suprir esse tempo. Isso até pareceria interessante, mas isso acarreta um custo maior para as empresas. A questão é que não existe ainda uma flexibilidade do governo para uma modalidade assim, com menor recolhimento de impostos”, explica Nogueira. “O segundo ponto diz respeito a modelos de gestão novos, como o híbrido e o que se oferece para reter profissionais. Eu acredito que em três, quatros anos, essa discussão da redução da jornada fique madura em alguns segmentos, mas ainda está muito inicial no país”.

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